A sexualidade faz parte de nossa conduta. Ela faz parte da liberdade em nosso usufruto deste mundo. A sexualidade é algo que nós mesmos criamos - ela é nossa própria criação, ou melhor, ela não é a descoberta de um aspecto secreto de nosso desejo. Nós devemos compreender que, com nossos desejos, através deles, se instauram novas formas de relações, novas formas de amor e novas formas de criação. O sexo não é uma fatalidade; ele é uma possibilidade de aceder a uma vida criativa.
"...individualizar os excluídos, mas utilizar processos de individualização para marcar exclusões..." ( FOUCAULT, 2009)
TDAH - AUTISMO- SÍNDROME DE ASPERGER- RETARDO MENTAL
Faço saber que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Jader Barbalho, Presidente do Senado Federal, nos termos do art. 48, item 28, do Regimento Interno, promulgo o seguinte
DECRETO LEGISLATIVO (*)
Nº 198, DE 2001
Aprova o texto da Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, concluída em 7 de junho de 1999, por ocasião do XXIX Período Ordinário de Sessões da Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos, realizado no período de 6 a 8 de junho de 1999, na cidade de Guatemala. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Fica aprovado o texto da Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, concluída em 7 de junho de 1999, por ocasião do XXIX Período Ordinário de Sessões da Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos, realizado no período de 6 a 8 de junho de 1999, na cidade da Guatemala. Parágrafo único. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão da referida Convenção, bem como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do inciso I do art. 49 da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.
Senado Federal, em 13 de junho de 2001.
Senador JADER BARBALHO
Presidente do Senado Federal
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LDB - CAPÍTULO V - Da Educação Especial
Art. 58º.
Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade deeducação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos
portadores de necessidades especiais.
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W
Até que ponto a "Educação Inclusiva" mostra-se realmente eficaz e, não, mais um instrumento de promoção da discriminação?
REFERÊNCIAS
FOUCAULT. Michel. Vigiar e Punir. 37ª. ed. Petrópolis, Vozes: 2009.
“Uma criatura de quatorze anos, alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita” Machado de Assis, Dom Casmurro
Através de um novo olhar, Bentinho retrata Capitu na citação acima. Porém, antes, soube às escondidas que sua ida ao seminário seria adiantada em função de uma suspeita de namoro entre os dois jovens. Ir para o seminário implicava separar-se da super proteção materna, das conveniências de filho único, dos resquícios da infância. Todavia, tal perspectiva não lhe pareceu tão aterradora quanto o fato de enxergar Capitu como objeto de um afeto mais inquietante que o infantil.
Bentinho descreve uma jovem que, passadas as 1ª e 2ª infâncias, encontrava-se provavelmente em alguma fase do seu estirão puberal. Fase esta que parece iniciar-se no narrador a partir do momento em que se confronta com a possibilidade da mudança da relação com sua amiga de infância, ou seja, em um momento posterior ao de Capitu, como se percebe no trecho abaixo:
Com que então eu amava Capitu, e Capitu a mim? Realmente, andava cosido às saias dela, mas não me ocorria nada entre nós que fosse deveras secreto. Antes dela ir para o colégio, eram tudo travessuras de criança; depois que saiu do colégio, é certo que não restabelecemos logo a antiga intimidade, mas esta voltou pouco a pouco, e no último ano era completa. Entretanto, a matéria das nossas conversações era a de sempre. Capitu chamava-me às vezes bonito, mocetão, uma flor; outras pegava-me nas mãos para contar-me os dedos. E comecei a recordar esses e outros gestos e palavras, o prazer que sentia quando ela me passava a mão pelos cabelos, dizendo que os achava lindíssimos. Eu, sem fazer o mesmo aos dela, dizia que os dela eram muito mais lindos que os meus. Então Capitu abanava a cabeça com uma grande expressão de desengano e melancolia, tanto mais de espantar quanto que tinha os cabelos realmente admiráveis; mas eu retorquia chamando-lhe maluca. Quando me perguntava se sonhara com ela na véspera, e eu dizia que não, ouvia-lhe contar que sonhara comigo, e eram aventuras extraordinárias, que subíamos ao Corcovado pelo ar, que dançávamos na lua, ou então que os anjos vinham perguntar-nos pelos nomes, a fim de os dar a outros anjos que acabavam de nascer. Em todos esses sonhos andávamos unidinhos. Os que eu tinha com ela não eram assim, apenas reproduziam a nossa familiaridade, e muita vez não passavam da simples repetição do dia, alguma frase, algum gesto. Também eu os contava. Capitu um dia notou a diferença, dizendo que os dela eram mais bonitos que os meus; eu, depois de certa hesitação, disse-lhe que eram como a pessoa que sonhava... Fez-se cor de pitanga.
O restante da história, já sabemos ou, para quem não sabe, “é tempo!”, nas palavras do próprio Machado de Assis. Mas e o início? Que transformações ocorreram em Bentinho e Capitu para que chegassem a esse ponto de desenvolvimento físico e psicológico? Da ficção para a realidade, e resguardadas todas as licenças poéticas, as personagens de Dom Casmurro não diferem de qualquer jovem, pois o crescimento e desenvolvimento ponderal é um fenômeno biológico comum a todos os indivíduos.
Durante um tempo, é recorrente, ouvirmos sentenças do tipo: “Como esse (a) menino (a) cresceu!” proferidas pelas tias velhas, madrinhas ausentes ou conhecidos que só aparecem nas festas anuais. Paradoxalmente, a ciência prescreve que o crescimento é uma curva descendente, ou seja, quanto mais se “cresce” menos se cresce. Isso significa que, excetuando-se o período pós-natal, o processo de crescimento desacelera-se à proporção que o indivíduo se desenvolve, alcançando um pico acentuado na fase chamada estirão puberal, mas que não se compara aos índices estabelecidos na primeira infância.
Acompanhando toda essa revolução física marcada pelo aumento da estatura e do aparecimento dos caracteres sexuais secundários, uma revolução “invisível”, mas potencialmente marcante ocorre quase que ao mesmo tempo nesta fase do desenvolvimento em que “o menino e a menina atingem razoável grau de independência psicológica em relação aos pais” (Herbert, 2002, p.18). Neste ponto do texto, tenhamos cuidado, pois adentramos em um território perigoso, habitado por uma criatura com sete cabeças, braços maiores que o corpo e poderes sobrenaturais: O Adolescente!
De tão temida, a adolescência tornou-se um verdadeiro animal mitológico nas culturas industriais ocidentalizadas. Em sociedades distintas, ocorrem cerimônias de iniciação que inserem a criança (social e fisicamente) no mundo adulto no momento em que chagam à puberdade independente da idade que tiverem. Em contextos socioculturais ocidentalizados, a adolescência teve que ser “inventada”, adiando o encontro da criança com as responsabilidades adultas.
Machado adia a transformação de Bentinho em Dom Casmurro por meio de sua estadia no seminário, da ida à Europa, do casamento, das mortes dos entes amados, da mais perfeita suspeita de traição, da solidão auto impingida. Por outro lado, Capitu, descrita como dona de “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” desde o inicio da narrativa que coincide com sua entrada na puberdade, é nos apresentada pronta, “alta, forte e cheia” de determinações e projetos.
-Juro! Deixe ver os olhos, Capitu.
...
Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-me definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe, -para dizer alguma coisa,- que era capaz de os pentear, se quisesse.
Tragado pelos olhos de Capitu, Bentinho rasga o casulo da puberdade. Contudo, nenhuma experiência o preparou para lidar com sua imagem refletida em meio ao que denominou de ressaca. A ignorância de Narciso foi determinante para sua felicidade ao apaixonar-se por si mesmo refletido nas águas calmas do lago. A Bentinho não coube a mesma sorte, pois viu-se em águas tormentosas através dos olhos de Capitu e, quem sabe por isso, deixou-se levar pela insegurança durante seu tempo de convivência com ela.
Em vez de ir ao espelho, que pensais que fez Capitu? Não vos esqueçais que estava sentada, de costas para mim. Capitu derreou a cabeça, a tal ponto que me foi preciso acudir com as mãos e ampará-la; o espaldar da cadeira era baixo. Inclinei-me depois sobre ela, rosto a rosto, mas trocados, os olhos de um na linha da boca do outro. Pedi-lhe que levantasse a cabeça, podia ficar tonta, machucar o pescoço. Cheguei a dizer-lhe que estava feia; mas nem esta razão a moveu.
-Levanta, Capitu!
Não quis, não levantou a cabeça, e ficamos assim a olhar um para o outro, até que ela abrochou os lábios, eu desci os meus, e...
Grande foi a sensação do beijo; Capitu ergueu-se, rápida, eu recuei até a parede com uma espécie de vertigem, sem fala, os olhos escuros. Quando eles me clarearam, vi que Capitu tinha os seus no chão. Não me atrevi a dizer nada; ainda que quisesse, faltava-me língua. Preso, atordoado, não achava gesto nem ímpeto que me descolasse da parede e me atirasse a ela com mil palavras cálidas e mimosas... Não mofes dos meus quinze anos, leitor precoce. Com dezessete, Des Grieux (e mais era Des Grieux) não pensava ainda na diferença dos sexos.
REFERÊNCIAS:
EVS USP - VIDEO-AULA 7 - CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PONDERAL
Distúrbios alimentares: interação de fatores psicológicos, biológicos, familiares e socioculturais que provocam alterações significativas do comportamento alimentar.
BOTO, C. A civilização escolar como projeto político e pedagógico da modernidade: cultura em classes, por escrito. Caderno Cedes, Campinas, v.23, n.61, p.378-397.
“A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais.”
Declaração Universal dos Direitos Humanos, Art. XXVI
A proposta que segue é o resultado das reflexões acerca do desenvolvimento moral da criança e do adolescente e de como a educação formal interfere nas transições entre os estados de anomia para heteronomia e desta para a autonomia, percebendo esta última como condição para o pleno exercício da cidadania. Há aqui a pretensão de por em prática os construtos teóricos elaborados a partir da minha vivência como professora/aprendiz no curso EVS USP e no Projeto Currículo Global para a Sustentabilidade.
A educação básica recebe sujeitos em uma faixa etária compreendida dos 6 aos 15 anos aproximadamente. Sujeitos estes que, além das propostas curriculares referentes aos componentes curriculares, estão aprendendo noções convivência social, mas que ainda não as internalizaram. Nesse processo de aprendizagem, é fundamental provocar situações que possibilitem o desenvolvimento de múltiplas perspectivas por meio de situações-problema, a fim de que esse cidadão em potencial consiga valorar, questionar e a transcender pressupostos. Sendo assim, a escola como instância mediadora entre a família e a sociedade possui um papel precioso na formação para a cidadania.
Porém, não se pode confundir o desenvolvimento de valores com "lições de moral", pois a formação da (e para) cidadania” é um processo cotidiano e intencional, não uma expressão politicamente correta em um plano pedagógico. A partir de tal perspectiva, desenvolvem-se metodologias dialógicas pautadas no respeito mútuo envolvendo o aluno em situações reais que proporcionem a reflexão critica, a ação e a transformação do contexto "glocal".
Partindo desse princípio, segue um relato de uma sequência didática realizada em 2010, com alunos da 6ª série (7º ano) de uma escola de ensino fundamental da rede pública do município de São Paulo. Denominada "A Loira do Banheiro", a sequência didática recebeu esse título, pois no ano anterior, enquanto trabalhávamos o gênero "Conto", esses mesmos estudantes realizaram estudos literários das lendas urbanas tendo como referência o livro "A Loira do Banheiro e outras histórias" (Eloísa Prieto).
Nesta sequência didática, trabalhando o gênero "Cartas de Solicitação", eles realizaram um levantamento de uma situação-problema: a degradação dos banheiros da escola, debateram acerca das causas desse problema comum, aventaram soluções e até mesmo abriram espaço para uma discussão interessante a respeito da "propriedade" do espaço público no Brasil e no mundo. Segue, então, os detalhamentos desse trabalho.
SEQUÊNCIA DIDÁTICA: A LOIRA DO BANHEIRO
COMPONENTE CURRICULAR: Língua Portuguesa
ANO E CICLO: 7º ano (6ª série), Ensino Fundamental II.
TEMPO ESTIMADO: duas semanas.
TEMAS TRANSVERSAIS/ CONCEITOS DA DIMENSÃO GLOBAL: Resolução de Conflitos, Valores e Percepções, Desenvolvimento Sustentável.
POSSIBILIDADES INTERDISCIPLINARES: Ciências Naturais, História, Geografia, Artes, Inglês, e Matemática.
Relacionar carta de solicitação ou de reclamação ao seu contexto de produção (interlocutores, finalidade, lugar e momento em que se dá a interação) e suporte de circulação original (objetos elaborados especialmente para a escrita, como livros, revistas, suportes digitais).
Estabelecer conexões entre o texto e os conhecimentos prévios, vivências, crenças e valores.
Inferir o sentido de palavras ou expressões a partir do contexto ou selecionar a acepção mais adequada em verbete de dicionário ou de enciclopédia.
Correlacionar causa e efeito, problema e solução, fato e opinião relativa a esse fato, tese e argumentos, definição e exemplo, comparação ou contraste, para estabelecer a coesão da seqüência de idéias.
Identificar repetições e substituições, relacionando pronomes ou expressões usadas como sinônimos a seus referentes para estabelecer a coesão.
Planejar cartas de solicitação ou de reclamação: pesquisar fórmulas de abertura e de desfecho, formas de tratamento.
Produzir cartas de solicitação ou de reclamação, levando em conta o gênero e seu contexto de produção, estruturando-o de maneira a garantir a relevância das partes em relação ao tema e aos propósitos do texto e a continuidade temática.
Revisar e editar o texto focalizando os aspectos estudados na análise e reflexão sobre a língua e a linguagem.
2. ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A LINGUA E A LINGUAGEM
Identificar possíveis elementos constitutivos da organização interna do requerimento, cartas de solicitação ou de reclamação: data, invocação, explanação do assunto, fecho e assinatura.
Examinar em textos o uso de tempos verbais no eixo do presente para reconhecer os eventos anteriores e posteriores a esse tempo (pretérito perfeito / futuro do presente).
Examinar em textos o uso de vocabulário técnico.
3. ESCUTA E PRODUÇÃO ORAL
Relatar e comentar experiências e acontecimentos que requeiram reclamações ou solicitações.
Encenar situações sociais diversificadas que envolvam reclamações e solicitações.
Empregar palavras ou expressões que funcionam como modalizadores para atenuar críticas, proibições ou ordens potencialmente ameaçadoras ao interlocutor como “talvez”, “épossível”, “por favor”.
Trocar impressões.
Avaliar a expressão oral própria ou alheia em interação.
4. JUSTIFICATIVA
Após realizarmos a avaliação dos resultados alcançados na questão dissertativa de Língua Portuguesa da Prova da Cidade realizada em 03/08/2010, verificamos que, em sua grande maioria, os alunos das cinco turmas do 7º ano do ciclo II de uma EMEF da Zona Leste de São Paulo não conseguiram alcançar as expectativas de aprendizagens compatíveis com o ano e ciclo em que se encontram. Concomitantemente, observamos que as relações interpessoais estabelecidas no meio escolar apresentam certas lacunas, gerando vários conflitos. Percebemos, então, a necessidade da realização de um trabalho de recuperação dos conhecimentos curriculares.
Concomitantemente, verificamos que, apesar do esforço de alguns membros da comunidade escolar, muitas áreas estruturais estavam bastante degradadas. Como se trata de uma escola muito grande, elegemos um problema comum e alvo de constantes reclamações como o "objeto" das reflexões que justificaram a elaboração do requerimento à equipe gestora : a situação dos banheiros utilizados pelos alunos.
Efetuamos um levantamento das opiniões com base na escuta e valorização das queixas que os usuários apresentaram a respeito das condições de higiene, falta de segurança e privacidade, encanamento e manutenção deficitários. A equipe gestora também se posicionou explicando o impacto dos gastos gerado pelos consertos de vasos e pias entupidos por rolos de papel higiênico e sabonetes, da constante reposição das trancas das portas das cabines, da pintura das pichações, ressaltando o emprego de verba pública em todas essas ações.
A partir disso, os alunos foram orientados a formalizar suas insatisfações por meio de uma carta endereçada à equipe gestora da escola em questão, sugerindo mudanças e, principalmente, propondo uma parceria objetivando a adequação dos banheiros às condições básicas de saúde e conforto e empreendimento de esforços para a manutenção das melhorias alcançadas.
5. OBJETIVOS
Elaboração e entrega de uma carta de solicitação para modificações dos banheiros da escola;
Recuperação dos procedimentos de elaboração de cartas e requerimentos, previstos nas expectativas de aprendizagem para o 7° ano do ciclo II do ensino Fundamental.
Desenvolvimento de habilidades, conhecimentos, valores e atitudes que permitam aos alunos participarem ativamente da transformação da situação-problema.
6. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
avaliação diagnóstica com base na análise dos resultados alcançados pelos alunos do 7° ano do ciclo II na questão dissertativa da Prova da Cidade.
reflexão acerca da possibilidade de aplicação dos conteúdos curriculares na transformação da realidade escolar, eleição da “situação-problema”.
levantamento das opiniões dos alunos, da equipe gestora, professores e demais funcionários das causas e possíveis soluções para esse problema (captados em vídeo).
elaboração de uma carta endereçada à equipe gestora, solicitando as adequações necessárias à limpeza e higiene do local e propondo parcerias para manutenção do espaço.
7. CONCEITOS DA DIMENSÃO GLOBAL ALIADOS AOS TÓPICOS CURRICULARES NA SEQUÊNCIA "A LOIRA DO BANHEIRO"
7.1. RESOLUÇÃO DE CONFLITOS
Levantamento das causas da degradação dos espaços públicos n escola, no Brasil e no mundo.
Como conciliar "usos" de um espaço comum respeitando meu direito e o direito do outro de usufruí-lo?
7. 2. VALORES E PERCEPÇÕES
Por que e como agir para modificar uma realidade que lhe incomoda?
O que é meu, o que é seu e o que é nosso em um espaço público?
Qual o valor dos espaços públicos, e, principalmente, da escola pública?
7.3. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Como evitar o desperdício da água, do papel, do sabonete, utilizando-os, conforme determina as normas de higiene e prevenção de doenças, mas de modo racional, sabendo-os coletivos?
Como preservar o espaço público evitando o gasto desnecessário de recursos financeiros públicos?
8. MATERIAIS
Conto "A Loira do Banheiro";
Caderno, lápis, caneta, lousa, giz.
Caderno de Apoio e Atividade 7º ano, ciclo II (SME DOT)
Câmera digital com funções de filmagem e fotografia.
Programa de edição Windows Movie Maker (ou outro de sua preferência)
OBS.: os materiais utilizados podem ser adptados conforme os recursos de cada escola.
Alguns resultados
A carta
São Paulo, 20 de setembro de 2010.
À Equipe Gestora da EMEF ...
Prezados,
Os alunos das turmas do sétimo ano do Ciclo II gostariam de informar que é preocupante a situação em que se encontram os banheiros da nossa escola. Esta EMEF possui três banheiros para os alunos, um em cada andar, mas somente o do térreo permanece aberto e este não tem cabines suficientes para atender a demanda do período. Em certas ocasiões, o referido local fica superlotado, como, por exemplo, após as aulas de Educação Física.
É muito comum faltar água, ora porque não tem realmente, ora porque várias torneiras são utilizadas ao mesmo tempo. Ainda sobre a questão das torneiras, outro incidente bastante recorrente é recebermos um esguicho forte causado pela pressão desregulada. Gostaríamos de salientar que a falta de água, além de ser um transtorno, expõe nossa saúde a sérios riscos, pois não há como lavarmos as mãos após utilizarmos o banheiro. Neste ponto, observamos também que a ausência de sabonete, papel higiênico e papel toalha compromete uma perfeita limpeza, favorecendo o surgimento e transmissão de doenças.
A segurança é outro fator preocupante por vários motivos. Primeiramente, porque o chão permanece constantemente molhado, favorecendo possíveis quedas e consequências desagradáveis. Nossa privacidade é quase sempre invadida, uma vez que as portas das cabines não tem o comprimento adequado, o que nos deixa expostos. Além disso, não há trancas e, por engano ou não, sempre há casos de alunos que são surpreendidos por outros quando estão utilizando a cabine. Infelizmente também, houve vezes em que alunos tiveram sua intimidade exposta ao serem fotografados pelos colegas que utilizaram máquinas de celulares.
É claro que a responsabilidade por tudo isso não cabe somente aos Senhores. Há muitos casos de utilização inadequada desse espaço como, por exemplo, os colegas que não costumam acionar a descarga, os que picham as portas, os que entopem os vasos e pias com papel, chicletes e toda sorte de objetos. Temos ciência da nossa parcela de responsabilidade e, para tanto, estamos aqui propondo um acordo:
Pedimos que os Senhores considerem o que foi escrito na presente carta e, na medida do possível, tentem solucionar os problemas expostos. Por outro lado, nos comprometemos a preservar e a auxiliar na manutenção de todas as melhorias obtidas. Pensem com carinho na possibilidade da instalação de espelhos nos banheiros de ambos os sexos. Pode parecer supérfluo, mas isso também faz parte de uma tentativa de autocuidado e preservação da nossa imagem.
Na esperança que possamos estabelecer uma grande parceria, despedimo-nos respeitosamente,
Os alunos das turmas do 7° ano do ciclo II
O Vídeo
O material a seguir é uma curta edição das opiniões levantadas a respeito da degradação do uso do espaço público (banheiros) em uma escola da rede municipal de São Paulo. Mostra também a expectativa dos alunos sobre a possibilidade de mudança dessa situação e sobre as dúvidas que cercam a utilização desses espaços.
Obs.: a captação da imagem de cada estudante foi devidamente autorizada por seus responsáveis legais.
___________. Temas Transversais e a Estratégia de Projetos. São Paulo, Moderna, 2003.
BOTO, C. A civilização escolar como projeto político e pedagógico da modernidade: cultura em classes, por escrito. Caderno Cedes, Campinas, v.23, n.61, p.378-397.
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BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Assistência à Saúde. ABC do SUS — Doutrinas e princípios. Brasília: 1990.
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CANGUILHEM, G. O normal e o patológico. Coleção Campo Teórico. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.
CHAUÍ, Marilena Souza. Cultura e democracia. 9ª. Ed. São Paulo: Cortez, 2001
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. 37. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.
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